Divagar...

Saio à rua...
A noite é escura,
Fria,
Sombria...
Entro no bosque,
Ouço os lobos uivar,
Vultos a passar,
O nevoreiro corta-me a visão...

Então perdi-me,
E sem saber o caminho de regresso,
E sem ver o espaço que me rodeia,
Começo a procurar...
A procurar luz na escuridão,
Ruído no silêncio,
Ordem na confusão...

Então descobri o rio,
E fui mergulhar
Na água gelada
Impossivel de suportar...
E deixei-me levar pela corrente,
Indo para onde ele me quisesse levar...
E levou-me até ao fim,
Onde acabou,
E me libertou
Para o enorme oceano,
Para a liberdade de errar,
Naufragar,
Como um barco que ruma sem destino,
Apenas pelo prazer de viajar,
E deixo-me ir com as ondas,
Com a lua sempre a vijiar-me,
A ver-me divagar!

5 comentários:

  1. Para quem diz ser "Um mau poeta", não está mau...

    ResponderEliminar
  2. Ser poeta é muito mais do que escrever...

    ResponderEliminar
  3. Como descreveu Florbela Espanca "Ser poeta é ser mais alto, é ser maior do que os homens..."

    Pode não ser so escrever, mas quem escreve com sentimento, não pode negar-se a sê-lo...

    ResponderEliminar
  4. Escrever assim é um dom. Ter a capacidade de transmitir em letras, palavras e frases tudo o que se sente, é algo só ao alcance de alguns (muito poucos).
    Um dia disse a uma pessoa de quem gosto muito, “quem dera ser poeta, ter esse dom… Para poderes compreender todo o sentimento constante nas minhas palavras.”
    Ser poeta é mesmo ser mais alto, é sair desta dimensão e, como Fernando Pessoa disse, “Porque eu sou do tamanho do que vejo
    E não, do tamanho da minha altura...” ,
    é ver mais além, mas muitas vezes ser incompreendido…
    Não sou poeta, nem tenho pretensões de o ser, mas adoro ler poesia…
    A poesia é um dom, quem o tem não o deve negar e acima de tudo, não se deve calar…

    ResponderEliminar